O centro da periferia em Mulheres de cinza de Mia Couto

Variant title
The center of the periphery in Mulheres de cinza by Mia Couto
Source document: Études romanes de Brno. 2022, vol. 43, iss. 2, pp. 63-77
Extent
63-77
  • ISSN
    1803-7399 (print)
    2336-4416 (online)
Type: Article
Language
Portuguese
Abstract(s)
A literatura é o campo privilegiado para o estudo das relações humanas. Aí se desnudam, não raras vezes, conexões de força entre géneros, raças, culturas, ora dando voz, ora silenciando aqueles que vivem nas margens sociais. Mia Couto é um autor que escreve da e sobre a periferia, centralizando-a. As suas personagens das margens tornam-se centro, através da reescrita da história. Enquadra-se nesta perspetiva a sua trilogia As areias do imperador. É, assim, objetivo deste texto analisar o "sujeito ex-cêntrico" (Hutcheon 1991) da personagem-narradora de Mulheres de cinza, primeiro romance desta tríade, aferindo estratégias narrativas de inverter a relação Centro-Periferia.
Literature is the privileged field for the study of human relations. There, not infrequently, connections of strength between genders, races, cultures are exposed, sometimes giving voice, sometimes silencing those who live on the social margins. Mia Couto is an author who writes from and about the periphery, centralizing it. His characters from the margins become center, through the rewriting of History. His trilogy As areias do imperador [The emperor's sands] fits in here. The aim of this text is to focus on the "ex-centric subject" (Hutcheon 1991) of the narrator-character of Mulheres de cinza [Women in gray], the first novel of this triad, assessing narrative strategies to invert the Center-Periphery relationship.
Document
References:
[1] Couto, M. (2003). Estórias abensonhadas (pp. 139–144). Lisboa: Caminho.

[2] Couto, M. (2012). A confissão da leoa. Alfragide: Editorial Caminho.

[3] Couto, M. (2018). Mulheres de cinza. As areias do imperador, vol. I. Maputo: Fundação Fernando Leite Couto.

[4] Couto, M. (2016). A espada e a azagaia. As areias do imperador, vol. II. Maputo: Fundação Fernando Leite Couto.

[5] Couto, M. (2018). O bebedor de horizontes. As areias do imperador, vol. III. Maputo: Fundação Fernando Leite Couto.

[6] Bauman, Z. (2005). Identidade: Entrevista a Benedetto Vecchi. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. | DOI 10.21665/2318-3888.v3n5p290-295

[7] Beauvoir, S. de (2008). O segundo sexo. Vvol. II. Trad. S. Milliet. Lisboa: Quetzal Editores.

[8] Bhabha, H. (1994). The location of culture. London/New York: Routledge.

[9] Bhabha, H. (ed.). (1990). Nation and narration. New York: Routledge.

[10] Bokiba, A.-P. (1998). Écriture et identité dans la littérature africaine. Paris: L'Harmattan.

[11] Bourdieu, P. (1990). Domination masculine. Actes de la recherche en sciences sociales, 84, 2–31, http://www.fichier-pdf.fr/2012/03/12/article-arss-0335–5322–1990-num-84–1-2947/article-arss-0335–5322–1990-num-84–1-2947.pdf | DOI 10.3917/arss.p1990.84n1.0002

[12] Brugioni, E. (2011). Observações sobre a escrita literária de Mia Couto: apontamentos para uma reflexão crítico-epistemológica. In C. Flores (Org.), Mú ltiplos olhares sobre o bilinguismo (pp. 191–208). Braga: Edições Húmus/universidade do Minho/Centro de Estudos Humanísticos.

[13] Butler, J. (2017). Problemas de género: feminismo e subversão da identidade. Lisboa: Orfeu Negro.

[14] Can, N. A. (2016). Alter-idade em casa. O exílio interno no romance moçambicano. Revista Mulemba, 8, 14, 76–91. | DOI 10.35520/mulemba.2016.v8n14a4324

[15] Carreira, S. de S. G. (2017). Focalização e gênero em romances de Mia Couto. E-scrita, 8, 3, 5–20.

[16] Chagas, S. N. (2018). Nas cinzas da memória: a poeira da tradição. Fronteira Z, 20, 81–97. | DOI 10.23925/1983-4373.2018i20p81-97

[17] Diop, S. (2002). Fictions africaines et postcolonialisme. Paris: L'Harmattan.

[18] Fanon, F. (2015). Peau noire, masques blancs. Paris: Seuil.

[19] Flois, C. A. L. (2017). Identidade e diversidade cultural no pós-colonialismo. Revista Expectativa, 16, 17, 66–83.

[20] Flois, C. A. L. (2018). Deslocamentos identitários nas narrativas Mulheres de Cinzas e Americanah. Cascavel: universidade Estadual do Oeste do Paraná (Dissertação de mestrado). | DOI 10.15584/ejcem.2022.2.4

[21] Flois, C. A. L. (2020). Contextualizações estéticas e históricas em Mulheres de cinzas de Mia Couto. Travessias, 14, 1, 332–353. | DOI 10.48075/rt.v14i1.23020

[22] Galeano, E. (2017). Mulheres. Lisboa: Antígona.

[23] Glissant, E. (2005). Introdução a uma poética da diversidade. Juiz de Fora: Editora uFJF.

[24] Hutcheon, L. (1991). Poética do pós-modernismo: história, teoria, ficção. Rio de Janeiro: Imago.

[25] Levinas, E. (2000). Totalidade e infinito. Lisboa: Edições 70.

[26] Maceno, R. B. (2021). O colonialismo e suas implicações na literatura contemporânea: identidades cambiantes na trilogia As areias do imperador, de Mia Couto. Brasília: universidade de Brasília (tese de doutoramento).

[27] Martins, A. C. S.; Silva, A. R. da (2020). Literatura e história: os liames da ficção no romance histórico Mulheres de cinza, de Mia Couto. Revista Ecos, 29, 17, 2, 2–16.

[28] Mattiussi, L. (2005). Philosophie des marges littéraires: l'écriture du dehors. In P. Forest, & M. Szkilnik, Théorie des marges littéraires (pp. 59–72). Nantes: Editions Cécile Defaut.

[29] Moura, A. C. (2018). Nacionalismo e hibridismos identitários no romance histórico Mulheres de cinza, de Mia Couto. Litterata, 8, 2, 30–41. | DOI 10.36113/litterata.v8i2.2179

[30] Oliveira, E. R. de S. de (2021). O lugar de escuta como experiência estética na trilogia As areias do imperador, de Mia Couto. Florianópolis: universidade Federal de Santa Catarina (tese de doutoramento.).

[31] Onfray. M. (2001). Cinismos, retrato de los filósofos llamados perros. Buenos Aires: Paidós.

[32] Pageaux, D.-H. (2001). Da imagem ao imaginário. In A. M. Machado, & D.-H. Pageaux, Da literatura comparada à teoria da literatura (pp. 48–66). Lisboa: Presença. | DOI 10.17851/2359-0076.21.29.271-275

[33] Pereira, J. P. C. (2021). Mia Couto: representação e subalternidade em Mulheres de cinza. Revista Convergência Lusíada, 32, 45, 32–63. | DOI 10.37508/rcl.2021.n45a426

[34] Piedras, A. L. S. (2017). O mosaico de identidade em Mulheres de cinzas, de Mia Couto. Goiânia: Pontifícia universidade Católica de Goiás (dissertação de mestrado).

[35] Santos, B. S. (2002). Entre Próspero e Caliban: colonialismo, pós-colonialismo e inter-identidade. In M. I. Ramalho, & A. S. Ribeiro, Entre ser e estar: raízes, percursos e discursos da identidade. Porto: Edições Afrontamento.

[36] Santos, C. M. (2017). Entre o bronze da letra e o cristal da voz: interditos da voz na ficção de Mia Couto. Porto Alegre: universidade Federal do Rio Grande do Sul (tese de doutoramento). | DOI 10.32467/issn.2175-3628v23n1a14

[37] Tigre, M. P.; & Neto, J. P. C. (2021). A questão do "insílio" em Mulheres de cinza: o monolinguismo e a monoidentidade do outro. Cadernos de tradução, 41, 1, 86–99. | DOI 10.5007/2175-7968.2021.e71068

[38] Veiga, G. L. T. (2017). Questões de género na obra de Mia Couto: breve trajetória. E-scrita, 8, 3, 47–58.