"Histórias de um céu movente" : movimentos entre centro e periferia na poesia de Carlos Morais José

Variant title
"Stories of a Moving Sky" : movements between center and periphery in Carlos Morais José's poetry
Author: Augusto, Sara
Source document: Études romanes de Brno. 2022, vol. 43, iss. 2, pp. 79-98
Extent
79-98
  • ISSN
    1803-7399 (print)
    2336-4416 (online)
Type: Article
Language
Portuguese
Abstract(s)
A literatura de Macau em língua portuguesa constitui um universo literário produzido sobretudo a partir do século XX e que pode fazer equacionar conceitos como literatura marginal, literatura periférica, língua literária pluricêntrica e como cânone literário, a partir das suas particularidades históricas e do estatuto de um território em transformação. A consideração de centro e periferia ganha particular acuidade, podendo contribuir para uma arrumação da produção literária produzida, lida e estudada em Macau. A obra literária de Carlos Morais José apresenta-se como exemplo particular neste contexto da Literatura de Macau, uma vez que rompe com dicotomias estabelecidas. Não só permite ampliar o sentido de centro e periferia em termos geográficos e literários (Portugal, Macau, China), como também, através do exercício constante do diálogo intertextual, constrói entrelugares que transformam periferias e centro numa expressão poética que privilegia a imaginação, a subjetividade, inscrevendo a experiência literária, enquanto saber, leitura e escrita, numa ordem distinta e mais liberta de constrangimentos geográficos e literários.
Macao literature in Portuguese is a literary universe produced mainly from the 20th century onwards, which can equate concepts such as marginal literature, peripheral literature, pluricentric literary language and literary canon, based on its historical particularities and the status of a changing territory. The consideration of center and periphery gains particular acuity, as it can contribute to an ordering of the literary production produced, read and studied in Macau. The literary work of Carlos Morais José is a particular example in this context of Macao Literature, as it breaks with established dichotomies. Not only does it expand the meaning of center and periphery in geographic and literary terms (Portugal, Macau, China), but also, through the constant exercise of intertextual dialogue, builds "in-between" places that transform peripheries and center into a poetic expression that privileges imagination, subjectivity. Thus, it allows inscribing the literary experience, as knowledge, reading and writing, in a different order and freer from geographical and literary constraints.
Document
References:
[1] Abreu, A. G.; & José, C. M. (2013). Quinhentos Poemas Chineses. Macau: Livros do meio/ casa de Portugal em Macau.

[2] Aguiar e Silva, V. M. d. (2020). Colheita de inverno. Ensaios de teoria e crítica literárias. Coimbra: Almedina.

[3] Alencar, J. de (1856). Cartas sobre a Confederação dos Tamoios. Rio de Janeiro: Empresa Tipografia Nacional do Diário.

[4] André, C. A. (2021). Má fortuna a Oriente: Camões em dois romances contemporâneos. In C. Morais et al. (Ed.), Actas do congresso Diálogos Interculturais Portugal-China. Volume II: Literaturas, artes e línguas em diálogo (pp. 11–26). Aveiro/Macau: Instituto Confúcio da universidade de Aveiro /Instituto Internacional de Macau.

[5] Augusto, S. (1995). Almanaque de lembranças Luso Brasileiro. In org. BIBLOS – Enciclopédia Verbo das Literaturas de Língua Portuguesa (pp. 146–151) Lisboa/ S. Paulo: Verbo.

[6] Augusto, S. (2018). "Corpo de barco e de rio": a memória dos textos literários em PLE. In C. A. André, R. Pereira, & L. Inverno (coord.), Actas do 4º Fórum Internacional do Ensino da Língua Portuguesa na China (pp. 255–268). Macau: IPM.

[7] Augusto, S. (2017). Arquivos da guerra interior. A viagem do pecado ao Oriente. In M. C. Natário et al. (Org.), De Portugal a Macau: Filosofia e Literatura no Diálogo das Culturas (pp. 556–568). Porto: Faculdade de Letras da universidade do Porto. http://ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/15891.pdf.

[8] Augusto, S. (2019). À procura de um tempo perdido: de Camilo Pessanha a Carlos Morais José. IJPFS: Interdisciplinary Journal of Portuguese Diaspora Studies, 8, 9–23.

[9] Augusto, S. (2020a): Poesia de viagem a Oriente. Quanto pode uma viagem ainda incomodar?. In A. M. Ferreira, C. Morais, M. F. Brasete, & R. L. Coimbra (Orgs.), Pelos mares da literatura em português (pp. 231–246). Berlim: Peter Lang.

[10] Augusto, S. (2020b). Reescrita e ressurreição na poesia de Carlos Morais José. In J. Coelho Ramos et al. (Org.). Macau e a Língua Portuguesa: novas pontes a oriente (pp. 151–163). Macau: IPM / IPOR.

[11] Augusto, S. (2021). "Caminho de flores e de memórias": viagem e ressurreição na poesia de Carlos Morais José. In C. Morais et al. (Ed.), Atas do congresso Diálogos Interculturais Portugal-China. Volume II: Literaturas, artes e línguas em diálogo (pp. 87–102). Aveiro/Macau: Instituto Confúcio da universidade de Aveiro /Instituto Internacional de Macau.

[12] Barros, G. (2020). Literatura marginal periférica. In S. Fleury (Coord.), Wikifavelas. https://wikifavelas.com.br/index.php/Literatura_Marginal_Periférica.

[13] Bhabha, H. (1998). O local da cultura. Trad. M. Ávila, E. L. de Lima Reis, & G. R. Gonçalvez. Belo Horizonte: Editora uFMG.

[14] Bloom, H. (1995). The Western Canon. New York: Riverhead Books.

[15] Borba, M. A.; Oliveira, J. d. (2017). Interpretação de temas de "margem", literatura e culturas em perspectiva comparada. Intelligere, Revista de História Intelectual, 3, 1 (4), 3–17. | DOI 10.11606/issn.2447-9020.intelligere.2017.116406

[16] Borges, V. (2020). Nutrir as raízes bem fundas do coração: os poemas para Macau de Cecília Jorge. In C. Jorge, Poemas para Macau (pp. 7–26). Macau: Livros do Oriente.

[17] Braga, D. D. (2020). A poesia de Carlos Morais José. In A. P. Laborinho, G. Cordeiro, M. P. Pinto, & A. Nunes (Orgs.), Macau, novas leituras (pp. 81–87). Lisboa: Tinta da China.

[18] Chaguri, M. M.; & Marmerolli Tresoldi, M. C. (2020). O pós-colonial como ponto de vista, uma nota sobre Silviano Santiago. Aletria, 30, 1, 135–154. | DOI 10.17851/2317-2096.30.1.135-154

[19] Ferreira, F. L. (1718). Nova Arte de Conceitos. Primeira Parte. Lisboa: António Pedrozo Galrão.

[20] José, C. M. (2021). O comedor de nuvens. Macau: COD.

[21] José, C. M. (2020). Ladrão de tempo. Macau: COD.

[22] José, C. M. (2010). Macau. O Livro dos Nomes. Macau: COD.

[23] José, C. M. (2019). Anastasis. Lisboa: Abysmo.

[24] José, C. M. (2016). O Arquivo das Confissões – Bernardo Vasques e a Inveja. Macau: Livros do Oriente.

[25] José, C. M. (2013). Visitações. Macau: COD.

[26] José, C. M. (2021). O comedor de nuvens. Macau: COD.

[27] Laborinho, A. P.; Cordeiro, G.; Pinto, M. P.; & Nunes, A. (Orgs.) (2020). Macau, novas leituras. Lisboa: Tinta da China.

[28] Leite, A. E (2012). Marcos fundamentais da literatura periférica em São Paulo. Revista de Estudos Culturais, 1. http://each.uspnet.usp.br/revistaec/?q=revista/1/marcos-fundamentais-da-literatura-perif%C3%A9rica-em-s%C3%A3o-paulo. | DOI 10.11606/issn.2446-7693i1p1-20

[29] Lok, W. K. (2012). Sobre a base e a lógica da teoria "um País, Dois Sistemas". Revista de Estudos de "Um País, Dois Sistemas", III, 54–64.

[30] Mendonça, F. (2008). Literaturas emergentes, Identidades e Cânone. In M. Calafate Ribeiro, & M. P. Meneses (Orgs.), Moçambique: das palavras escritas (pp. 19–33). Porto: Edições Afrontamento.

[31] Nascimento, E. P. do (2009). Vozes marginais na literatura. Rio de Janeiro: Aeroplano.

[32] Pessoa, F. (1915). Carta a Camilo Pessanha. Arquivo Pessoa. http://arquivopessoa.net/textos/1146.

[33] Pimenta, T. de Macedo (2019). Do sagrado ao profano: Luís de camões como personagem em obras de Lobo Antunes e Mário Cláudio. Abril, Revista do NEPA/UFF, 11, 23, 153–166. | DOI 10.22409/abriluff.v11i23.30271

[34] Prysthon, A. (2003). Margens do mundo: a periferia nas teorias do contemporâneo. Revista FAMECOS, 10, 21, 43–50. | DOI 10.15448/1980-3729.2003.21.3212

[35] Ramon, M. (2021b). Centro e periferia da biblioteca lusógrafa. A literatura de Macau no sistema literário em língua portuguesa. Rotas a Oriente, 1, 119–132.

[36] Ramon, M. (2021a). Estante de Autor: Reflexões Em torno da definição de um cânone lusógrafo para o Ensino de PLE. In N. Aparecida Rocha, & R. S. da Silveira Gileno (Orgs.), Português, Língua Estrangeira e suas interfaces (pp. 159–177). Campinas: Pontes Editores.

[37] Reis, C. (2008). O conhecimento da literatura. Introdução aos Estudos Literários. Coimbra: Almedina.

[38] Reis, C. (2019). O português como língua literária: aporias e desafios em tempo pós-colonial. In M. Teixeira (Org.), Estudos da Língua Portuguesa: a união na diversidade (pp. 13–32). Santarém: Instituto Politécnico de Santarém / Escola Superior de Educação.

[39] Romana, M. da Conceição (2014). Para uma Literatura da Identidade Macaense Autores/Atores. Universidade da Beira Interior. https://ubibliorum.ubi.pt/handle/10400.6/4245

[40] Sachinski, J. B. de Oliveira (2012). A composição do cânone literário e as margens inconstantes da literatura ocidental. Revell. Revista de Estudos Literários da UEMS, 3, 2, 5, 20–28.

[41] Santiago, S. (1978). O entre-lugar do discurso latino-americano. In Uma literatura nos trópicos: ensaios sobre a dependência cultural (pp. 9–26). São Paulo: Editora Perspectiva.

[42] Saraiva, A. (1995). O conceito de literatura marginal. Discursos, 10, 15–23.

[43] Seabra Pereira, J. C. (2015). O Delta Literário de Macau. Macau: IPM.

[44] Silvestre, O. (2006). Revisão e nação: os limites territoriais do cânone literário. Faculdade de Letras da universidade de Coimbra.